As Zonas Cinzentas da Ferrari: Análise Técnica de Gary Anderson
A Ferrari foi a equipe que mais trouxe novidades no GP de Miami, mas o ex-diretor técnico da F1, Gary Anderson, levanta preocupações de que algumas delas podem forçar os limites das intenções do regulamento. Embora a decisão caiba à FIA, Anderson argumenta que no início da temporada é crucial limitar o quanto as equipes exploram zonas cinzentas, em vez de deixá-las criar precedentes.
Por que isso importa:
O regulamento de 2026 visa criar corridas melhores, mas as equipes estão priorizando desempenho em detrimento desse objetivo. Permitir interpretações agressivas agora pode consolidar direções de design que se afastam muito do espírito pretendido, dificultando uma correção futura.
Os detalhes:
- Pá defletora do escapamento: A Ferrari parece usar uma pá de obstrução próxima à saída do escapamento (Artigo 5.9) para criar contrapressão em altas rotações, melhorando a resposta do acelerador. Anderson acredita que isso contraria a exigência de que a saída permaneça desobstruída — uma solução simples seria exigir visibilidade por trás.
- Divisor do difusor: Um novo divisor central sob a estrutura de impacto pode reduzir o fluxo transversal em curvas, influenciando o desempenho do difusor. O conjunto de pás defletoras corre o risco de criar ganhos desiguais no difusor.
- Bargeboards: Pás verticais multifuncionais (substituindo pás únicas) direcionam o fluxo para as laterais do carro, gerando efetivamente outwash, apesar de o regulamento prever inwash. Isso melhora a vedação do assoalho.
- Suportes da asa traseira: Suportes estruturais revisados e ângulos do atuador aumentam a estabilidade, especialmente quando a asa está invertida (aerodinâmica ativa), enquanto as aberturas dos braços da suspensão foram limpas com curvatura do difusor suavizada.
- Borda do assoalho: O 'buraco do rato' ao redor do braço inferior da suspensão está maior, e as pás do assoalho parecem aumentadas — provavelmente melhorando o gerenciamento do fluxo.
O que vem a seguir:
Anderson não pede proibições imediatas, mas urge a FIA a esclarecer áreas ambíguas agora — como exigir visibilidade total da saída do escapamento. Com 264 páginas de regulamento, ainda existem muitas brechas, e adiar a ação corre o risco de consolidar projetos que prejudicam o objetivo do esporte de corridas mais acirradas.
Artigo original :https://www.the-race.com/formula-1/gary-anderson-on-grey-area-ferrari-is-exploit...





